NOTÍCIA
  Publicada em 25/09/2017  
  Organização suíça viabiliza a construção de fossas sépticas biodigestoras no Alto Jequitinhonha

Agricultores (as) que tiveram sua produção certificada como orgânica receberão um importante incentivo por meio da organização suíça “Voz do Cerrado”. Esta associação, que tem apoiado a agricultura familiar da região através do CAV, está viabilizando a construção de fossas sépticas biodigestoras em propriedades familiares. No mês de setembro, a primeira destas fossas foi construída no Centro de Formação e Experimentação do CAV em Turmalina.

Foi a partir dos processos de certificação orgânica da produção de alimentos que se aumentou a preocupação com o destino do esgoto nas propriedades familiares. Isso porque o mais comum na zona rural dos municípios do Alto Jequitinhonha é a utilização da chamada “fossa negra”. No entanto, esta pode contaminar o solo e o lençol freático, o que pode vir a comprometer a produção orgânica em muitas localidades. Assim surgiu a necessidade de se buscar uma alternativa para os destinos dos dejetos, de forma que a fossa séptica biodigestora se mostrou como possível solução para o problema. 

O processo varia de acordo com a quantidade de usuários. Em um domicílio para até 05 pessoas, o esgoto do vaso sanitário passa por 03 caixas d’água de 1.000 litros e a cada mês é acrescido esterco bovino. Ao fim do processo, que dura em torno de 3 meses, é produzido um biofertilizante que poderá ser utilizado como adubo. Uma das utilidades deste é a adubação de árvores, mudas, áreas de pasto, entre outros. Este fertilizante não é indicado para a aplicação direta sobre os alimentos, como hortaliças e frutas.

Conhecendo a tecnologia

No dia 24 de agosto o CAV realizou um momento de apresentação e capacitação dos agricultores (as) sobre a construção e uso desta fossa. Participaram do evento os produtores (as) certificados de Veredinha, Turmalina e Minas Novas.

A implantação e funcionamento da tecnologia foi apresentada através de um vídeo. Além disso, os participantes acompanharam uma simulação da instalação da fossa, mostrando o passo-a-passo de forma bastante didática. Esta foi uma oportunidade para se debater e tirar dúvidas sobre o experimento.

Por meio dos recursos viabilizados pela organização Voz do Cerrado será possível implementar 03 fossas sépticas em caráter de teste. Uma delas será no Centro de Formação e Experimentação do CAV (CFE), já que este já produz alimentos orgânicos certificados, além de ser uma unidade experimental para todo o Vale do Jequitinhonha. O destino das outras duas fossas foi definido durante um sorteio realizado também no evento do dia 24/08, sendo contemplada uma família da comunidade de Pindaíba em Veredinha e outra da comunidade de Olaria, em Turmalina.

A primeira fossa a ser instalada foi no CFE do CAV, ainda no mês de setembro, sendo gastos três dias para sua conclusão. Para adiantar o processo, foi utilizada uma máquina retroescavadeira para abertura dos buracos e a instalação foi feita pelos técnicos do CAV. A construção das outras duas fossas será nos próximos meses em regime de mutirão, sendo este um acordo feito pelos próprios agricultores (as) do grupo.

Embora só será possível fazer uma avaliação da tecnologia após alguns meses de instalação, os agricultores (as) têm se mostrado com grande expectativa pelo uso. Eles consideraram a fossa séptica uma implementação inovadora, pois é uma solução permanente, desde que sejam feitas as devidas manutenções. Além de substituir a “fossa negra”, ela também possibilita a produção de biofertilizante. Outra vantagem vista pelas famílias rurais, é que a fossa séptica não acumula resíduos, por isso não é necessário fazer limpezas internas.

Para a agricultora Sirleia Rodrigues Pereira, esta inovação apresenta muitos benefícios: “Achei muito interessante, pois é simples e não é muito cara. Além disso, estamos cuidando do meio ambiente. A certificação orgânica é importante porque leva qualidade de vida para nossa família e para os que compram os produtos, trazendo vários aprendizados com relação a natureza”.

A associação Voz do Cerrado tem atualmente em sua presidência uma ex-cooperante do programa Brasil de E-CHANGER, a Judith Reusser que, ao lado de sua companheira Thaís Santos, trabalhou no CAV durante três anos. Judith deu importantes contribuições para o avanço do processo de certificação orgânica e através desta organização da Suíça tem continuado a colaborar com a agricultura no Vale, como afirmou o coordenador do CAV, Valmir Soares de Macedo: “A trajetória da instituição é marcada por uma luta que se dá a muitas mãos. Judith e Thaís são exemplos de gente comprometida nesse processo. Juntos, buscamos manter vivos os ensinamentos de gerações que se harmonizam com o meio, mesmo com as grandes avançadas de uma indústria essencialmente capitalista que objetiva o lucro em detrimento da vida. Neste caso, uma associação suíça com nome e coração brasileiro nos colabora enormemente para multiplicar conhecimentos e experiências agroecológicas no Vale do Jequitinhonha”.

 

 

Por Ademilson Gonçalves, Fabiana Eugênio e Josiane Fernandes

 
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