NOTÍCIA
  Publicada em 29/06/2018  
  Agricultores (as) trocam experiências sobre sementes crioulas em intercâmbio realizado pelo CAV

 

Nos dias 20 e 21 de junho foi realizado um intercâmbio para troca de experiências sobre produção eresgate de sementes crioulas, em São Gonçalo do Rio das Pedras (Serro - MG). Estiveram presentes 25 participantes dos municípios de Turmalina, Veredinha, Minas Novas e Chapada do Norte, dentre eles agricultores (as), guardiãs (ãos) de sementes, produtores (as) orgânicos, técnicos do Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica (CAV), profissionais e estudantes da Escola Família Agrícola de Veredinha (EFAV), diretores sindicais e de associações de feirantes.

O intercâmbio foi realizado pelo CAV, através dos projetos com as organizações suíças Voz do Cerrado e Vivamos Mejor, e do Centro de Volontariato Internazionale (CeVI), da Itália. O CAV também contou com a parceria do Instituto Estadual de Florestas, Associação Pró Fundação Universitária do Vale do Jequitinhonha (FUNIVALE), e o Sítio Céu e Terra localizado em São Gonçalo do Rio das Pedras, Serro-MG.

Os participantes visitaram a comunidade quilombola Santa Cruz, que fica às margens do rio Jequitinhonha, no município de Serro. Com a participação dos moradores locais, foi realizada uma conversa sobre a tradicionalidade, resgatando memórias sobre a origem e a luta quilombola, fazendo um elo entre a cultura do povo e a tradição das sementes. Houve um debate sobre os riscos da perda da autonomia com o uso das sementes híbridas e principalmente as transgênicas. Logo em seguida foi feita uma roda de troca de saberes, onde cada agricultor (a) apresentou as suas variedades de sementes e um pouco de sua história. O momento foi marcado por uma intensa troca de sementes crioulas entre os guardiões. Calcula-se que mais de 40 variedades tenham sido intercambiadas entre as distintas comunidades presentes. Também foi realizada uma visita a uma propriedade rural, onde os participantes puderam conhecer um sistema de produção agroecológica. E logo em seguida participaram de uma noite cultural, com fogueira, teatro, contadores de causos e cantadores (as) de São Gonçalo do Rio das Pedras.

No dia seguinte, o espaço de formação se realizou na sede da FUNIVALE, onde foi apresentado o histórico da instituição no trabalho de resgate, produção e troca das sementes crioulas. Os técnicos da FUNIVALE apresentaram os desafios em se concretizar a proposta, porque segundo eles “o melhor lugar de se guardar sementes é na terra”. Partindo deste debate se percebeu que as casas de sementes podem ser estratégias para sistematização de informações, reunir as sementes espalhadas pelas comunidades, organizar encontros e disponibilizar possibilidades para a troca entre os guardiões, mas não devem ser em si, um espaço de arquivamento das variedades, sem que as mesmas estejam sendo reproduzidas pelos diversos guardiões e guardiãs. Também houve um momento para troca de informações sobre técnicas de produção de sementes de hortaliças, seleção, colheita e armazenamento. E para encerrar o encontro, os participantes fizeram uma visita à horta, casa de sementes crioulas e à farmácia de produtos naturais fitoterápicos e homeopáticos da FUNIVALE. Este momento foi marcante pela complementariedade da discussão sobre as sementes, a produção orgânica/agroecológica e os remédios caseiros, ambos são elos que visam a autonomia da família em relação ao mercado e ao mundo capitalista.

 

 

Por Clebson Souza e Josiane Fernandes

 

 

 

 

 

 

 
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